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Privacidade de Dados

Redes privativas e agronegócio: como obter o melhor retorno sobre o investimento

30/03/2026 por News Team

As redes celulares privativas permitem a coleta de grandes quantidades de dados para otimizar as decisões no agronegócio, fornecem informações em tempo real aos centros de operações remotos, possibilitam fazer a vigilância online, monitorar a evolução das culturas, da saúde dos animais, rastrear os equipamentos agrícolas, entre outras ações, que aumentam a produtividade e a eficiência das operações.

Mas escolher a melhor estrutura de rede não é uma tarefa simples. Como em qualquer setor produtivo as empresas podem adotar diferentes tipos de infraestrutura e até de conexão.

O que vem sendo seguido na Europa, América do Norte e no Brasil é a escolha do modelo on-premise, onde os equipamentos são instalados nas dependências das empresas, pelos setores com atividades de missão crítica, e quando não há atividades de missão crítica, o uso de uma infraestrutura pública, onde são usados equipamentos que já atendem uma localidade e é feita uma limitação de tráfego de dados para a empresa.

Cobertura territorial no agro evolui, mas ainda é baixa

No caso do agronegócio, onde na maioria dos casos, a tecnologia será usada para a monitoria e coleta de dados transmissão, como informações de telemetria de máquinas como tratores e equipamentos como pulverizadores ou pivôs de irrigação, uma infraestrutura de rede celular pública 4G/LTE atende as necessidades de conexão.

Mas um problema que afeta o agronegócio é justamente a falta de estruturas públicas próximas as áreas produtivas. Segundo o Indicador de Conectividade Rural, desenvolvido pela associação ConectarAGRO e pela Universidade Federal de Viçosa, que mede a conectividade nas áreas rurais e remotas do país, em 2025, apenas 33,9% da área disponível para uso agrícola no Brasil tinha cobertura 4G ou 5G. Na pesquisa anterior, feita em 2024, o índice era de 18,7%.

Houve uma evolução na área de cobertura e parte dela pode ser atribuída às iniciativas realizadas pela própria ConnectarAGRO e pela ABAG – Associação Brasileira do Agronegócio, que desenvolveu a cartilha “Como ampliar a conectividade rural na sua região”, coordena o Programa de Conectividade Rural, que irá destinar uma verba de R$ 600 milhões para a instalação de antenas até 2028 e em parceria Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de SP realiza uma pesquisa para avaliar a possibilidade de autorizar a transferência de créditos de ICMS para pagamento da instalação de infraestrutura para prestação de serviços de telecomunicações 4G em áreas agrícolas.

Essas ações têm promovido o desenvolvimento da conectividade, mas é preciso lembrar que cerca de 66% das áreas agrícolas ainda não possuem conexão e diferente das indústrias, onde muitas vezes é necessário um elevado investimento para atender as atividades de missão crítica, o agronegócio pode obter bons resultados com um investimento bem menor.

Como a “dor” no agronegócio muitas vezes é a falta de conectividade para telemetria, pois os maquinários 100% autônomos ainda não estão massificados no país, uma rede pública, com limitação de tráfego de dados para a empresa contratante, muitas vezes atende as necessidades do setor.

Mas em locais onde não há interesse, devido a falta de outros clientes, o custo de construção de uma rede pública fica restrito apenas aos grandes produtores rurais. Excluindo desta forma a maior parte do agro nacional já que segundo o último Censo Agropecuário, de 2017, 77% dos estabelecimentos agropecuários do país foram classificados como de agricultura familiar.

Novas soluções

Além da conhecida infraestrutura on-premise, onde os equipamentos ficam na propriedade da empresa, e usam equipamentos que geram uma conectividade robusta, mas devido ao custo está limitado aos grandes produtores rurais. Uma alternativa que pode atender o agronegócio é a rede celular privativa in a box ou network in a box. É uma opção mais simples e barata que pode oferecer conexão 4G/LTE e até 5G e já é usada em setores como o logístico para cobrir áreas chamadas “sombras”, onde o sinal da rede principal pode ter um desempenho inferior em locais como galpões.

O modelo in a box deve se tornar uma alternativa viável em breve para o agronegócio brasileiro e funciona como uma rede celular privativa já usada por grandes empresas, mas sem a necessidade de obras civis e instalação de múltiplos equipamentos. Todos os equipamentos estão em um rack do tamanho de uma mala de viagem. Além disso, a Anatel já permitiu o SLP (serviço limitado privado) para uma determinada área, o que permite habilitar aplicações em localidades onde não houver sinal das operadoras e possibilitando que os produtores rurais criem sua própria rede.

Em anos recentes também vem ganhando espaços as redes públicas criadas por meio de parcerias entre fabricantes de maquinários agrícolas e operadoras. Essas redes atendem o produtor rural e a população do entorno e tem ganhado tração por meio da participação das fabricantes de maquinários, que custeiam parte dos custos de instalação da infraestrutura. Em contrapartida, as máquinas mais modernas dos fabricantes, com funcionalidades que demandam conexão, ficam mais atrativas para os produtores e os fabricantes também podem oferecer serviços como manutenção preventiva e corretiva remota, o que também demanda conectividade. Já a operadora além de atender ao agronegócio pode oferecer planos a outros clientes do entorno.

A cada ano o agronegócio tem mais opções para implementar a conectividade e a chamada Agricultura 4.0, onde as tecnologias digitais permitem aumentar a produção. Mas além do valor do investimento, antes de implementar uma rede privativa é preciso avaliar todo o ecossistema de equipamentos para saber o que pode ser conectado de forma a aumentar a produtividade, reduzir a ociosidade de equipamentos e o desperdício de combustível, fertilizantes e recursos naturais como a água, o que também contribui para tornar a agricultura mais sustentável reduzindo os impactos ambientais.